quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Um dia de metrô

É no olhar distante, que se notam os detalhes, e são neles que busca tal razão. Um passo define tudo, em última instãncia espera que o balanço lhe segure. Os trilhos vibram cada vez mais, se estabelecem as opções, a dúvida cresce a medida que a luz se aproxima.

A Dúvida não se afaga, o corpo é atirado ao ar, deixado à gravidade, é cedo e não há braços que o segurem, mas é tarde, a mão já está quase apoiada, abrem-se as portas do destino, o som representa a última chamada, o corpo ainda em queda, entra involuntariamente.

As janelase as portas trancadas não deixam agora opção de escapatória, só resta o velho banco, marrom, sentar e esperar a próxima estação, não há garantia de destino, mas os olhos na estação fixam-se. Põe-se a olhar através do vidro sujo, a fria, encapúzada.

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