segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pedra de algodão

Ela anda a se preocupar
Sem querer prestar as contas
Nos olhos flameja a raiva
No lábio o sorriso

Atira-me contra a parede
Decidida me machuca
Busca o que quer
Uma resposta boa o suficiente

Balança os cabelos contra o vento
Me ignora, me devora
Em suas brincadeiras me agarra
Me morde com paixão

Atira-me com força ao chão
Em suas mãos as palavras como pedras
Atira-se junto a mim
Enquanto as palavras transformam-se em algodão

Ela anda a se preocupar
Sem querer prestar as contas
Nos olhos flameja a raiva
No lábio outro doce sorriso

quarta-feira, 7 de março de 2012

Caminhos obscuros


É a noite que me persegue
Que me prende
Que me arrasta
Pelo ódio infinito

Do sentimento destruido
Das veias entupidas
De grandes mentiras
Que saturam o ser

É a raiva que se alia
Ao conjunto indigno
Do paraíso inexistente
Que flutua logo acima

Acima das nuvens negras
Dos temporais
Do qual permaneci
Congelado pelos meus atos

Quieto
Mudo
Calado

Incoeerente
Irreverente
Orgulhoso demais

Orgulhoso demais para admitir
Que não poderia sair
Da prisão que a mim mesmo impus
Do cerco maldito

Cada um leia como quiser
Não responda
Interprete
Que os pensamentos só a mim resta compreender ...

terça-feira, 6 de março de 2012

O mais belo fim de tarde


No lindo fim de tarde
Que as gaivotas enfeitam
O belo pôr-de-sol que faz

Um olhar que reflete
Toda a beleza de um mar azul
Perdido entre nuvens

Nuvens brancas, negras, amareladas
Do sentimento que não se leva
Do abraço que se aperta

Do desagarro que não chega
Do seus lábios que não se afastam
Dos meus que não te largam

Dos versos que cintilam
Pura areia
Que meus pés se enterram

Tentam se manter firmes
Enquanto o leve corpo
Sonhador flutua
Distante de sua realidade

Olhos cerrados
Em abraço apertado
Em seus lábios molhados
Salgados

Ali me perdi
Naveguei contra minha solidão
Encontrei um clichê
Encontrei o porto de minha tormenta

Devasta
Nefasta
Abraça
Não se afasta

Me perdi
Como nunca
Desejei me perder
E nunca mais me achar
Na paixão
Que nunca mais vou encontrar

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sonho inacabado

Suaves, brilham contra a luz como duas crianças que esperam ser observadas no auge de sua felicidade.

A penumbra revela sua intensidade de forma com que se atraia todo o interesse.

Pode-se de longe sentir a maciez, imprevisíveis, inatingíveis são os mesmos que me afastam em desespero.

Desespero de não poder alcançá-los, ali, frente a mim, reluzindo sob o pano branco que me faz sonhar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Lugar

Não sei o que quero
Não acredito em destino
Então ao nada me entrego
Não vou a lugar nenhum
Nenhum este interior
Mais longe que o homem já chegou
Um espaço vazio
Sem luas, sem estrelas
Apenas com a solidão
De alguém que nada tem
A não ser meias palavras
De lugar algum ...

Volta

De volta á volta
Do ciclo ao nada
Ao incerto
A volta das dúvidas

Mas que bom
Me faz sorrir
Me faz vivo
Melhor que a monotonia
Do certo
Só os percalços do incerto

O olhar mirado
Nas nuvens que me trazem
As saudades do longo
Do infinito, finito

As felicidades retornam
Estão nos erros
Ainda mais nos acertos
Feliz enquanto puder tentar
Sorridente enquanto confuso

As palavras voltam a fluir
Sem rumo saem da boca
Ponta negra de um lápis
Registra a quem escreve

A beleza das palavras
Do sentimento que despertou

De novo ...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Submissão

Como é triste a situação
Povo é roubado na corrupção
Até quem não vota
Compromete a multidão

Meu país grita pela liberdade
Mas pouco liga para a realidade
Quando a ignorância esconde
Toda a verdade

Esse cheiro que sente o cidadão
É cheiro de ódio
E também corrupção

Vivendo na vergonha
Sem querer mudar
Levando em frente
Sem saber no que vai dar

Ferro e pau
A gente parte pra luta
O país ta no lixo
Cheio de filho da puta
Corre e bate
A violência resolve
A inteligência não
Sofremos com a mudança
Ignoramos a corrupção

O povo luta até quando der
Mas na realidade
Não é só peitar o que vier

Aqui você se cansa
Não se levanta
E nem adianta
Se um vento fraco te balança
Você fraco cai
Assim que se destrai
Você já nem sai
Por medo de cair
E nunca mais subir
Perde a vontade de agir
Quando de você vai vir
A insitência que há de existir ?
E do sistema você tenta
Mas nunca vai fugir !

Que a revolta não se restrinja às meras palavras de um louco por justiça.